A Montanha

História dos Vinhos do Pico

Após a sua descoberta na primeira metade do séc. XV, antes de 1439, o Pico, inicialmente designado por S. Dinis, começou a ser povoado por volta de 1460.

O nome tem origem na alta montanha que a domina e que termina num pico pronunciado, sendo o mais alto de Portugal. O Pico é a mais montanhosa ilha dos Açores,atingindo o cume do Pico 2351 m de altura.

Numa ilha que não tinha portos de fácil acesso, com um chão petrificado ao longo dos milhares anos, não havia condições para o cultivo do trigo, principal alimento introduzido nas ilhas que iam sendo descobertas. Mas cedo se percebeu que nesse chão petrificado, e dadas as condições climáticas, se poderia produzir vinho de excelente qualidade.

Pensa-se que terá sido o franciscano Frei Pedro Gigante quem terá providenciado a vinda dos primeiros bacelos da casta Verdelho, da ilha da Sicília, com condições efado-climáticas muito idênticas às do Pico.

A sua expansão terá sido rápida , pois em 1591 o Pico já produzia muito e bom vinho e melhor que o das outras ilhas.

Mas só na 1 ª metade do séc. XVII é que se terá iniciado o seu cultivo na costa ocidental, zona em que a sua produção haveria de ganhar maior notoriedade. O seu cultivo terá sido tão intenso que, a dado momento, foi proibido o abate de árvores, único combustível existente na ilha.

Em cerca de 120 Km2 terão sido edificados os conhecidos "currais", rectângulos de solo de 2 m de largura por 6 m de comprimento, ladeados por 4 paredes de cerca de 1 m de altura , labiríntica teia de muros de pedra solta, inseridos numa estrutura complexa, pensada para protecção das videiras dos efeitos perniciosos da ventania e sais marinhos, mas sem prejudicar a penetração dos raios solares e o escoamento da produção. Os muros de pedra basáltica, retirada do solo, recriam um ambiente de estufa, ao permitirem a manutenção do calor durante a noite, mantendo, no período de maturação, uma amplitude térmica baixíssima, de que resultam mostos com teor alcoólico provável de 14 a 17 graus.

O Vinho Licoroso Branco Seco, de grande qualidade, era exportado para o norte da Europa, Brasil, Índias Ocidentais, Terra Nova, Antilhas, Estados Unidos, etc. Os czares da Rússia e os Papas contavam-se entre os seus grandes apreciadores.

O míldio e o oídio primeiro (1850) e a filoxera depois (1870) baixaram drasticamente a produção, estando na origem da primeira leva de emigrantes para as terras americanas.

No decorrer da década de setenta do século passado, iniciou-se o Plano de Reconversão Vitivinícola dos Açores, com a introdução de novas castas para vinhos de mesa e incentivada a recuperação e reconversão das vinhas, com as castas mais nobres : o Verdelho dos Açores, o Arinto e o Terrantez do Pico.

A par dos vinhos brancos, tintos e rosé, renasceu, então, o Verdelho dos Açores, rebaptizado com o nome de Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Demarcada (VLQPRD), "Pico Lajido", que encontrou na Cooperativa Vitivinícola do Pico o seu principal impulsionador, agregando a grande maioria dos produtores da ilha

Outros se lhe seguiram, com especial realce para o " Curral de Atlantis " que, sob orientação do conceituado enólogo Paulo Laureano, para além de vinhos brancos e tintos, muito recentemente lançou no mercado um licoroso de extraordinária qualidade, desenhado a partir de uvas das castas Verdelho e Arinto.

Mais recentemente surgiu no mercado a empresa " Ínsula Vinus " com um vinho branco e um vinho tinto, de elevada qualidade, infelizmente em pequenas quantidades.

Em 2004, a Paisagem Protegida dos Vinhos do Pico foi classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade, como reconhecimento pelo trabalho moroso , cansativo, feito, com muita perseverança e mestria, pelas gentes do Pico, paisagem única em todo o mundo, pela sua extensão e beleza . Diz-se que se os muros de pedra fossem colocados em linha recta, dariam 2 voltas ao Equador!